No rastro da história de Manoel da Fonseca e Genoveva – 1ª parte – A morte de Manoel

No artigo O registro paroquial de terras em Santa Rita – 1ª parte refiro-me a dados interessantes sobre o casal português Manoel José da Fonseca e Genoveva Maria Martins.

Resumidamente: encontrei informações que contradizia um fato da “lendária” história de Santa Rita: que Manoel morreu antes de 22 de março de 1825, data da celebração da 1ª missa realizada na igreja primitiva de Santa Rita.

Recentemente tive acesso a transcrição completa dos mapas de população (censos) de 1831 e de 1838, de Santa Rita do Sapucaí, publicados parcialmente aqui.

No censo de 1831 consta:

QuarteirãoFogoNomeIdadeCondiçãoOcupação
066Manoel José da Fonseca63Casadolavrador
Genoveva Maria60Casado

Já no censo de 1838 temos:

QuarteirãoFogoNomeIdadeCondição
160Genoveva Maria Martins67Viúva

Com essas informações respondo as perguntas que fiz anteriormente e afirmo com exatidão: Manoel José da Fonseca faleceu entre outubro de 1835 (data da venda de um sorte de terras feita por Manoel da Fonseca a Anna Joaquina de Jesus) e setembro de 1838 (data em que foi feito o mapa de população de 1838) e não antes de 1825, como é contado e ensinado em nossas escolas.

Certamente essas informações lançam uma luz sobre a história da cidade, porém lançam também outras perguntas: Se Manoel José da Fonseca estava vivo na data da 1ª missa, por que se contou até hoje que foi sua esposa quem mandou construir a igreja primitiva, cumprindo assim tanto a promessa feita a Santa Rita de Cássia como as últimas vontades do então finado Manoel da Fonseca. Por que não se contou que foi o próprio Manoel da Fonseca o mandante de tal obra? A história contada até então era uma peça de folclore ou fábula? Ou simplesmente um “equívoco” histórico?


Publicado em Fontes Primárias | 3 Comentários