Os primeiros serviços religiosos nas cercanias de Santa Rita do Sapucaí

No início do século XIX, os serviços religiosos das redondezas, onde seria erguida posteriormente a Capela de Santa Rita, eram feitos nos povoados mais próximos, respeitando os limites dos bispados de Mariana e São Paulo. Essa demarcação era imposta pelo rio Sapucaí: a margem esquerda pertencia ao bispado de São Paulo, enquanto a da direita era do bispado de Mariana.

Divisa entre os bispados de Mariana e São Paulo - Mapa de 1799


Os moradores da margem direita do rio Sapucaí costumavam freqüentar a igreja de Santa Catarina, atual Natércia, ou a ermida de Volta Grande, atual Careaçu, pertencentes ao bispado de Mariana. Já os moradores da margem esquerda procuravam a igreja matriz de Santana do Sapucaí, atual Silvianópolis, ou a capela do Mandu, em Pouso Alegre, que pertenciam ao bispado de São Paulo.

As capelas particulares
Em 1824 o bispo de Mariana, Dom Frei José da Santíssima Trindade, em visita pastoral as capelas e igrejas da região, presenteou ao então Alferes Braz Fernandes Ribas, dono da fazenda Água Limpa do Vintém, e ao Capitão Joaquim Ribeiro de Carvalho, dono de parte da fazenda São José, no bairro do Balaio, com uma pia batismal a cada um, a fim de serem usadas nos oratórios das capelas particulares de suas fazendas.

Com a provisão das pias batismais, veio também a autorização para celebração de missas e casamentos nessas capelas, ficando responsável pelos serviços o Vigário de Natércia da época, Pe Mariano Acioli de Albuquerque.

Padre Mariano vinha de tempos em tempos às fazendas e celebrava missas, casamentos e batizados, alem de ouvir as confissões dos fiéis. Os registros de batismos e casamentos eram anotados nos livros de Natércia onde, até 1827, faziam referencia as suas realizações nas capelas citadas. Já as encomendações de defuntos deste período eram feitas ou na matriz de Natércia ou em um cemitério que existia no bairro do Pouso do Campo.

Registro de óbito feito no cemitério do Pouso do Campo, em 1826

Um novo Vigário para nova Capela
Após a celebração da missa inaugural da Capela de Santa Rita, em 1825, o Pe. Mariano deu o cargo de Vigário Encomendado da Capela ao Reverendo Atanásio José Rodrigues que ficou responsável pelos serviços religiosos e pastorais do povoado que então surgia.

Registro de batismo realizado no oratório do Capitão Braz Fernandes Ribas, em 1824

Casamento no oratório do Capitão Joaquim Ribeiro de Carvalho, em 1825

Em 1836 a Capela de Santa Rita recebeu as prerrogativas de Curato de São Sebastião da Capituva, atual Pedralva. O Vigário Encomendado, Pe. Atanásio, recebeu o cargo de Cura e os registros de batismo, casamento e óbitos passam a serem anotados nos livros de Pedralva.

Em 1839, com a elevação do povoado à categoria de freguesia, o Curato é elevado à Paróquia e, conseqüentemente, a Capela elevada à Matriz de Santa Rita, tendo então recebido livros próprios para registros dos batismos, casamentos e óbitos.

Dois anos sem serviços religiosos
Fato curioso dessa história é que, mesmo depois de celebrada a 1ª missa na Capela de Santa Rita, em 1825, as celebrações de batizados e casamentos continuaram a serem feitos unicamente nas capelas particulares das fazendas do agora Capitão Braz Fernandes Ribas e do Capitão Joaquim Ribeiro de Carvalho, e não na já erguida Capela de Santa Rita.

Só dois anos depois da celebração da primeira missa, em junho de 1827, temos o primeiro registro de batismo, anotado no livro de Natércia, feito na Capela de Santa Rita e em novembro de 1827 o primeiro casamento. Em outubro de 1828 foi anotado o primeiro óbito, com sepultamento feito no cemitério da Capela de Santa Rita. A partir de então, apenas um ou outro batismo ou casamento foram realizados nas capelas particulares.

Primeiro registro de batismo na Capela de Santa Rita, em 1827

Primeiro registro de casamento na Capela de Santa Rita, em 1827

Primeiro registro de obito realizado na Capela de Santa Rita, em 1828

Segundo pesquisas, podemos especular que esse fato se deu por um destes motivos: a Capela era demasiadamente rústica e não oferecia condições estruturais para receber os serviços religiosos, além da missa inaugural; ou por interesse político do Capitão Braz Ribas e do Capitão Joaquim Ribeiro que não queriam perder seus favoritismos partidários, alimentados pelo prestígio de possuírem capelas em suas fazendas, onde eram realizados os serviços religiosos, e pela influência que podiam exercer sobre os fiéis freqüentadores das celebrações.

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12 respostas a Os primeiros serviços religiosos nas cercanias de Santa Rita do Sapucaí

  1. aelton disse:

    Registro de óbito feito no cemitério do Pouso do Campo, em 1826 , onde fica esse lugar , pouso do campo.
    conheço um lugar aqui por perto com esse nome, sera esse o mesmo lugar ??

    • Neco Torquato Villela Neco Torquato Villela disse:

      Oi Aelton,
      Pouso do Campo eh um bairro rural aqui de Sta Rita. Eh um dos bairrps mais antigos da cidade.
      Inteh!

      • Patricia Zordan disse:

        Olá Neco, boa tarde! Sou bisneta de Luiz Zordan que viveu muitos anos prestando serviços de agricultor em Santa Rita do Sapucaí e região. Meu avô Antonio Zordan foi registrado por ele em São Sebastião da Bela Vista.
        Estou precisando muito de algum registro de meu bisavô, preciso saber a naturalidade dele lá na Itália, será que você pode me ajudar a procurar??? Onde devo procurar??? Com quem devo falar??? Aguardo seu contato, desde já agradeço 😉

        • Neco Torquato Villela Neco Torquato Villela disse:

          Patricia,

          quando seu avô Antonio nasceu? Dependendo da época, ou os registros estão em Sta Rita do Sapucaí, ou em Bela Vista mesmo.

          Abraços!

  2. aelton disse:

    valeu Neco , e parabéns pelo trabalho ,

  3. Meu avó materno chamava Francisco Peres Monteiro, e meu avô paterno Justiniano Pires Ramos, ambos nascido na Fazenda Água limpa, município de Santana do Sapucaí. Gostaria de saber mais sobre a minha origem se for possível.
    a esposa de meu avô materno chamava Francelina Borba ou Borbann.
    Obrigado

  4. Pingback: Movimentos em prol da criação da freguesia de Santa Rita – parte final | Subsídios à Pesquisa Histórica

  5. JOSÉ CAETANO disse:

    Alguem tem alguma informação sobre a fazenda da dona Belinha, especialmente nos anos 40. é que minha mae morou nesta fazenda nesta década e a certidão dela traz que ela nasceu em sapucai mg, apenas.

  6. Carolina Brigagão disse:

    Boa-Noite! Parabéns pelo seu trabalho. Preciso de uma informação: Onde encontro os registros de casamentos religiosos celebrados no ano de 1877, na Matriz de Santana (em Santana do Sapucaí-atual Silvianópolis)? Os documentos foram transferidos para algum cartório, ou ainda estão lá?

    Grata pela atenção

    Carolina

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