A sesmaria do Fogão da Onça, Capituva e Balaio.

Ao trabalhar na digitalização do índice de sesmarias, que compõem a coleção de cartas de sesmarias do Arquivo Público Mineiro (APM), por puro acaso e curiosidade, encontrei mais uma carta de sesmaria de terras que hoje integram o território de nosso município.

Durante a organização dos documentos digitalizados, o nome de um sesmeiro chamou-me a atenção: Coronel José Francisco Pereira, sesmaria de São José, Freguesia e Termo de Campanha da Princesa, concedida em 9/9/1819.

Recordei-me que, na carta de sesmaria de Braz Fernandes Ribas, o dito Cel. José Francisco era citado como um de seus vizinhos: “… e pelo rumo do sul com terras da fazenda do coronel José Francisco Pereira…”.

Solicitei ao APM cópia da petição de concessão e da carta de sesmaria em questão e lá estavam às terras da fazenda São José, limitando com as terras de João Ferreira Negrão – vizinho leste da sesmaria de Braz Ribas. Com mais um pouco de pesquisa, identifiquei outras vizinhanças da sesmaria, com terras de fazendeiros de Natércia e Pedralva, facilitando assim a projeção das terras do Cel. José Francisco em um mapa.

Na petição de concessão, de julho de 1818, Cel. José Francisco solicitou 3 léguas de comprimento e 1 légua e meia de largura, mas a sesmaria concedida foi de 3 léguas de comprimento e 1 légua de largura. Sua abrangência diz respeito às terras que hoje compreendem: algumas frações de terras da zona urbana da cidade, os bairros rurais do Fogão da Onça, Toca da Raposa, São José, Cruz das Caveiras, Campo de Aviação, Capituva, Balaio e Fagundes, além de adentrarem em pequenas porções de terras dos municípios de Natércia e Pedralva.

Cel. José Francisco residia em sua fazenda Ano Bom (em terras hoje de Itajubá), além de ser senhor de outras terras em São Gonçalo do Sapucaí e no estado do Rio de Janeiro. Em vista disto, para garantir a posse, ao contrário das outras duas sesmarias de Santa Rita – que foram ocupadas por seus sesmeiros de fato – a sesmaria de São José foi ocupada, bem antes de sua petição, por dois filhos do Cel. José Francisco. Estes ergueram ali suas casas, estruturas de engenho e cultivaram suas terras, assegurando assim a propriedade da sesmaria.

Nos dias de hoje, algumas parcelas desta sesmaria, concedidas em 1819, ainda estão nas mãos de descendentes do Cel. José Francisco.

Petição de concessão da sesmaria de São José

Petição de concessão da sesmaria de São José

Transcrição de trecho da petição de concessão:

Diz o Coronel José Francisco Pereira, que ele Suplicante e Senhor e possuidor da sua fazenda de Engenho e cultura, cita no lugar denominado São José, na Freguesia e Termo da Vila da Campanha da Princesa, por títulos de compras, e parte em circunferência com João Ferreira Negrão, o Alf João Manoel, Manoel Gonçalves Varela, o Pe. João Machado dos Santos e o Cap. Amaro Gonçalves Chaves, e que o Suplicante não pode possuir sem o legítimo título de Sesmaria conforme as Reais Ordens, portanto requer o Suplicante a Vossa Excelência seja servido conceder-lhe uma Sesmaria de três léguas de comprimento e légua meia de largo…”
 

Carta Sesmaria José Francisco Pereira - pag 342

Carta Sesmaria José Francisco Pereira - pag 342

Transcrição de trecho da carta de sesmaria:

”…saber aos que esta minha carta de sesmaria virem que atendendo a me representar por sua petição o Coronel José Francisco Pereira, que no lugar denominado São José, na Freguesia e Termo da Vila da Campanha da Princesa se acham terras devolutas, as quais confrontam com João Ferreira Negrão, o Alf. João Manoel e Manoel Gonçalves Varela, o Padre João Machado dos Santos e o Cap. Amaro Gonçalves Chaves, porque o suplicante a queria possuir por legitimo termo de sesmaria me pediu lhe concedesse na dita paragem três léguas de terra de comprido e uma de largura…”
 

Fontes:
– APM, Coleção Casa dos Contos, CC – Cx. 20 – 10403;
– APM, Coleção Secretaria do Governo da Capitania, SC 377, pag. 342 e 342v.

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